Hipátia está com a Es.Col.A.

April 16th, 2012

Se ainda escutas a alegria de viver ouvirás o sinal para ficar

Declaração Conjunta de Apoio

Lá do Alto da Fontinha dá vontade de planar. Vê-se outra cidade a ser construída. Tijolo a tijolo, dia-a-dia, mão a mão, sorriso a sorriso. Aquilo que parecia um abismo – uma escola vazia, abandonada e arruinada – tornou-se o próprio espaço do sonho.


Com os pés assentes na terra, constrói-se a solidariedade, o espírito comunitário, uma ideia de utilidade pública alicerçada na ajuda mútua e na partilha livre do conhecimento. Ali faz-se ainda a democracia directa e participativa que falta. Ali aprende-se a estar vivo. Ali vê-se que a crise que nos quer amedrontados e pieguinhas, foge a sete pés. Não, nem a crise, nem um rio seco e sequioso, nem as cajadadas dos falsos democratas, vão estancar o fluxo desta Fontinha…

Neste momento decisivo, por uma exigência recíproca, cada um deve colocar ao outro as questões humanas e colectivas essenciais.



Esta declaração conjunta de apoio ao Es.Col.A já foi abraçada por catorze colectivos e associações, e está aberta a mais adesões de quem quiser e quando quiser. Escreve-nos!

Lá do alto, diremos à cidade que rejeitamos o despejo decretado pela actual gestão do Município do Porto e estenderemos a mão a quem veio por bem e para ficar.

Assinam,


AJA Norte - Associação José Afonso

AIT/SP - Núcleo de Chaves e Porto

Assembleia Popular do Porto

Assembleia Popular de Coimbra

Associação Casa da Achada - Centro Mário Dionísio (Lisboa)

Associação SAPATO 43

Casa da Horta (Porto)

Casa Viva Projecto (Porto)

Centro de Cultura Libertária (Almada)

Gap - Grupo de Acção Palestina

Livraria Gato Vadio

Marcha Mundial das Mulheres

Traga Mundos

Tribuna Socialista

Indignados Lisboa
Revista Rubra
Terra Viva
UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta
União Operária Nacional
Colectivo Hipátia
Partido Humanista
Espaço Musas


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March 11th, 2011

Falsamente sofisticada e moderna, a sociedade dos poderosos, abusiva e egoísta, empurra cada vez mais a sociedade civil para longe dos centros de decisão, porque estes são exclusivos de banqueiros, grandes empresários e políticos, e das suas clientelas.

Eles montaram o sistema, criaram a crise, e é sempre à nossa custa que a querem resolver!

Como tudo aquilo em que tocam existe apenas para realçar o seu poder e lhes permitir mais lucros, sempre à nossa custa, eles transformaram tudo em mercadoria, com um preço que escapa à precaridade das nossas vidas.

Da nossa parte não podemos esperar nada dessa máquina de governar que não tem senão como objectivo acabar com a generosidade da vida. Não podemos permitir que se agravem cada vez mais as nossas condições gerais de existência, no interesse de alguns.

Auto-organizada e solidária, a sociedade pode exigir tudo: o direito pleno de uso e acesso aos transportes, à alimentação, à educação, à saúde, à habitação, à alegria de viver…

Que cada pessoa escolha os meios de usufruir a vida, agora confiscada pela finança e o poder. Seja qual for o modelo a seguir, será sempre necessário forçar o poder, através da auto-organização popular e libertária, a abrir a mão de ferro que guarda os privilégios, essa é a premissa-base da luta nos dias de hoje, sem a necessidade e preocupação de propor um modelo já construído de antemão.

Que se multipliquem as lutas nas empresas, que se espalhem as experiências de economia solidária, que se recuse o consumo alienado que nos querem impor, que se reconquiste o espaço público que nos confiscaram na tentativa de nos impor um modo de vida telecomandado e de anular a nossa aspiração de cooperação livre e de identidade societária, afogada em futebóis e pátrias e outras amarras sempre ao serviço dos mesmos.

A máquina neo-liberal mostra cada vez mais a sua face desumana. Os profissionais da economia fazem contas, os políticos disfarçam, mentem, e aplicam reformas duplamente miseráveis para manter de pé o seu modelo perverso. Os próximos tempos são de incerteza, e aqui surgem possibilidades, o desconhecido, o que ainda não foi escrito. O tempo também foi globalizado, o que se passa aqui neste pequeno país vai acontecendo um pouco por todo o globo. E a necessidade de revolta também. Que a comunidade se reconstrua e se congregue em ataque ao poder, em experiências solidárias de cooperação e apoio mútuo!

Que cada pessoa faça a sua escolha!

Pontos que pomos à discussão nas JORNADAS ANARQUISTAS E ANARCOSINDICALISTAS 2010

October 15th, 2010

A organização social do capitalismo tradicional, de mercado, alterou-se em grande parte. Agora, ao passo que a produção industrial absorve cada vez menos massas de operários, crescem as concentrações de trabalhadores nos serviços. A agro-indústria foi-se, a pouco e pouco, impondo à agricultura de subsistência. (ponto 18)

Com base numa superior capacidade produtiva, a necessidade de assegurar a fluidez das mercadorias fez crescer cada vez mais a concentração de serviços de comércio, banca e seguros. Essa mesma necessidade de protecção fez também crescer a tropa de choque policial, privada ou do Estado, até se tornar numerosa e influente quanto o próprio exército. (ponto 19)

A extensão da escola a uma cada vez maior massa de crianças e de jovens não tem que ver com uma apregoada cada vez maior qualificação do trabalho, pelo contrário cada vez menos exigente em competências e saberes e antes reduzido a formas estereotipadas e repetitivas de execução, mas a essa necessidade de libertação de mão-de-obra e controlo. (ponto 29)

A importância do trabalho para o capital significa a importância do próprio sistema do salariato. Assalariar é já subjugar. E lutar por assegurar uma sobrevivência fora do sistema de salariato é já atingi-lo no que ele tem de mais essencial. A divisa de Auschwitz «o trabalho liberta» ilustra esta importância. (ponto 36)

Lutar contra o trabalho é assegurar o triunfo sobre a colonização da vida de cada pessoa, que a reduz a peça avulsa de um mundo que lhe é alheio. Fulano ou fulana tornaram-se não a pessoa que são, em si próprias, com a sua riqueza e multiplicidade de saberes, competências, reflexões e afectos, mas meras designações de profissão. (ponto 37)

Quer a reinvenção de formas de sobrevivência que reciclam a dissipação e alienação do modo de vida dominante, quer a criação de formas horizontais e colaborantes do exercício de uma actividade de partilha e troca que assegure sobrevivência e empreste mais-valia à comunidade exemplificam que é possível viver a vida doutra maneira. (ponto 38)

Uma das formas mais importantes desta dissipação é o próprio desenvolvimento produtivista, que faz do chamado progresso um objectivo em si mesmo, sem atender de forma racional a que necessidades ele corresponde e a que preço se faz impor, muitas vezes arrasando as próprias comunidades, e trazendo o desespero e a miséria. (ponto 40)

De facto, à medida que, cada vez mais, o tão afamado progresso foi lançando para fora do processo produtivo cada vez mais massas de gente em progressivo empobrecimento, o lugar central da resistência anti-capitalista foi-se deslocando cada vez mais também para fora da grande fábrica ou empresa de serviços, cuja luta se resume sobretudo a manter o emprego. (ponto 45)

Por isso defendemos a luta social em todas as formas por que ela se manifesta, na relação laboral e fora dela, na divulgação do pensamento libertário, na luta por um modo de vida não predatório da própria natureza, contra as formas de coacção violenta e os aparelhos militares nacionais e planetários, nas lutas de emancipação sexual, contra o progresso tecnológico a todo o preço. Não somos anarco-sindicalistas, mas partilhamos um lugar na barricada dos que combatem a opressão hierárquica, económica, e de todos os tipos. (ponto 50)

Porto, 13 de Outubro de 2010

Colectivo Hipátia


* Texto (em 50 pontos) discutido e aprovado no Colectivo Hipátia a propósito das Jornadas Anarquistas e Anarcosindicalistas do Porto. O texto, pela sua extensão, dificulta a discussão na forma proposta na organização das jornadas, pelo que só propomos os pontos acima em destaque.

Durante a discussão no Colectivo Hipátia foi considerado deixar este texto em aberto para posterior nova discussão e enriquecimento em alguns pontos (o papel do pensamento utópico precursor da crítica à sociedade opressiva; o capitalismo de Estado e suas variedades – exemplos dos modelos da União Soviética e da China actual; o lugar na escola no mundo do capitalismo actual).

Meia dúzia de banalidades sobre esta e outras sociedades de classe

October 15th, 2010

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    Nascimento do proletariado moderno

    1. O surgimento da máquina a vapor e o desenvolvimento de forças motrizes capazes de substituir a tracção animal vieram possibilitar a partir dos fins do séculos XVII e sobretudo a partir do século XVIII a concentração de meios capazes de uma produção industrial em larga escala que até aí nunca fora possível.

    2. Esta concentração beneficiava agora das grandes rotas comerciais abertas a partir do século XVI, da atitude religiosa mais tolerante para com o mundo dos negócios trazida pelo Reformismo e, sobretudo, da existência de um campesinato desapossado e empobrecido, sem meios certos de sobrevivência.

3. Todas estas condições foram propícias à criação de um proletariado industrial numeroso, concentrado, a quem os frutos do trabalho eram extorquidos em longas e penosas jornadas, em ambientes insalubres e sob a disciplina de uma organização laboral de carácter hierárquico e para-militar.

4. A própria condição operária ficava ainda refém, para além de recursos curtos de sobrevivência, da existência de uma reserva de desapossados disponíveis para o trabalho, os quais os detentores dos meios de produção se propunham usar como forma de pressão sobre os que tinham trabalho.

5. Ainda assim foi essa própria concentração operária, com a comunicação permanente que permitia entre os assalariados, a contaminação com os ideais de liberdade que aqui e ali surgiam contra os restos do regime feudal e o pensamento utópico de homens livres, que ajudaram a despertar a consciência de si próprios como classe explorada – o proletariado.

    6. As organizações operárias - os sindicatos, em particular - através das suas lutas, foram conseguindo então amenizar as duras condições de existência, tais como a duração da jornada de trabalho, os períodos de descanso, a assistência à doença e à velhice, conquistas estas obtidas com sofrimento e mesmo martírio, contra a resistência adversa e a violência.

    7. Como horizonte da luta dos trabalhadores apontava-se a revolução social, isto é, havia uma consciência de que só fora do quadro da sociedade hierárquica de classes seria possível um mundo de liberdade e equidade. Tudo o mais eram apenas formas de mitigar a situação de miséria e opressão para uns, opulência e poder para outros.

    Uma nova forma de capitalismo

    8. Mas a própria organização dos proletários trouxe também com ela a pretensa necessidade de especialistas que, pouco a pouco, se foram retirando dos locais de trabalho para se concentrarem nas suas funções de discussão com os patrões e da organização de cada vez mais pretensos protestos.

    9. À medida que a força proletária ia crescendo, a importância destes dirigentes para o desfecho das lutas, na óptica dos patrões, ia também crescendo, tornando-se pouco a pouco parceiros respeitados de negociação, cada vez mais alheios às necessidades reais da classe de onde tinham emergido.

10. Para muitos tornou-se necessária esta elite de dirigentes, por sua vez cada vez mais empenhados em justificar a sua função. As utopias da liberdade absoluta e da igualdade cederam lugar a uma via política mediatizada por estes dirigentes como caminho para alcançar a justiça social (o dito socialismo e a chamada ditadura do proletariado).

    11. Para uns tratou-se de justificar a permanência da sociedade de classes tradicional, defendendo que a melhoria das condições de vida do proletariado deveria resultar da negociação e compromisso com os patrões. A via das reformas deveria conduzir, a pouco e pouco, diziam, a uma sociedade cada vez mais equitativa.

    12. Para outros, tratou-se de defender a continuação da sociedade de classes de uma maneira menos evidente. Ao invés da via do diálogo, a sua escolha seria antes a do confronto e defesa de uma nova forma de organização da sociedade, cuja direcção era agora assegurada em nome das massas trabalhadoras, embora excluindo estas da tomada de decisões.

    13. A chegada ao poder desta ideologia numa relativamente grande economia do mundo, que os próprios apelidavam de “comunismo”, proporcionou uma cultura de expansão e triunfo na defesa destas formas de organização estratificada, elas mesmo reproduzindo a organização para-militar que pontificava nas fábricas.

14. Os meios então à disposição destas elites dirigentes do proletariado em outros pontos do mundo foram-lhes permitindo sobreviver e reforçar-se, na ilusão de grande parte dos trabalhadores de que eram eles sobretudo quem representava a resistência ao capital quando, na verdade, não eram senão a tropa de choque de uma nova forma de organização daquele.

15. Na verdade, nos países onde esta ideologia tinha tomado o poder, por entre esforços inenarráveis impostos aos trabalhadores e diante de uma militarização cada vez mais acentuada, a única coisa que evoluiu não foi a situação subalterna e de miséria daqueles, mas apenas o desenvolvimento de grandes forças produtivas assentes na sobre-exploração.

16. Contrapondo-se ao capitalismo tradicional, inclusive através de meios bélicos, crescia aqui uma economia cada vez mais voltada apenas para as necessidades do Estado e alheia às das massas, segundo propósitos que eram previamente definidos por um plano rígido e arbitrário.

Evolução da dominação do capital

17. Este novo mundo era agora o de uma economia não apenas transnacional mas verdadeiramente global, assente na fluidez das comunicações e na recomposição do trabalho e da própria produção, que lhe foram trazidos por revoluções sucessivas, primeiro mecânica e depois cibernética, cada vez mais influentes.

18. A própria organização social do capitalismo tradicional, de mercado, tinha-se alterado em grande parte. Agora, ao passo que a produção industrial absorvia cada vez menos massas de operários, cresciam as concentrações de trabalhadores nos serviços. A agro-indústria foi-se, a pouco e pouco, impondo à agricultura de subsistência.

19. Com base numa superior capacidade produtiva, a necessidade de assegurar a fluidez das mercadorias fez crescer cada vez mais a concentração de serviços de comércio, banca e seguros. Essa mesma necessidade de protecção fez também crescer a tropa de choque policial, privada ou do Estado, até se tornar numerosa e influente quanto o próprio exército.

20. A introdução de processos de produção mecânicos cada vez mais automatizados foi libertando cada vez mais trabalhadores dos processos produtivos nas economias do centro do mundo capitalista, ao mesmo tempo que, nas suas periferias, a concentração de trabalhadores ia aumentando, ocupada em tarefas esgotantes ou perigosas.

21. O recurso inexorável a novos meios de produção fará, contudo que, por sua vez, também esta massa de trabalhadores possa ser dispensada e se converta num enorme exército industrial de reserva, ao mesmo tempo que a produção de mercadorias em função do mercado se tornará cada vez mais supérflua e incongruente.

22. Esta produção realizada não em função da necessidade das pessoas mas do lucro, acarretando crises sucessivas de superprodução, não pode senão originar, cada vez mais, e ao mesmo tempo, ao lado da abundância o desperdício e a fome, e a continuação demente do esgotamento das fontes de energia que foram antes consideradas praticamente eternas.

23. Não admira que face à ideia de «desenvolvimento», considerado um fim em si mesmo, levando ao perigo de não-sobrevivência o próprio planeta, se suceda já hoje uma tentativa capitalista que procura reduzir os efeitos nefastos da política de sobre-exploração dos recursos para assegurar a possibilidade de continuar a sua dominação.

O capitalismo além da produção de objectos

24. Mas a organização da própria sociedade industrial do capitalismo evoluiu de uma forma tal que, muitas vezes, permanece praticamente invisível àqueles que apenas lhe reconhecem o carácter de actividade de rapina na esfera produtiva ou especulativa/financeira. Muito para além disso, ele diversificou a sua actividade a outros domínios.

    25. Os empreendimentos económicos há muito saltaram fora dos trilhos de uma mera produção de objectos. Para além das indústrias tradicionais, quer sejam as de consumo para o Estado - em armamento, por exemplo -, quer sejam as de consumo para as pessoas - roupas, mobília, etc. -, surgem agora as novas indústrias de modelação da própria vida.

    26. Surgem indústrias cada vez mais ambiciosas na educação e na saúde, por exemplo. A necessidade de assegurar, por via da escassez cada vez maior da mais-valia retirada dos trabalhadores, obriga a multiplicar e diversificar uma produção massiva que procura constantemente novos mercados e novos consumidores.

    27. A massa de consumidores é ampliada a cada vez mais categorias: crianças e adolescentes, mercados longínquos, etc.. Tal como no mundo da produção planificada do capitalismo de Estado se sucediam as campanhas de produção, no capitalismo de mercado sucedem-se as campanhas de consumo: Natal, Dia da Mãe, do Pai, disto e daquilo…

    28. A abundância derivada da exploração dos trabalhadores e do esgotamento da natureza permitiu uma acumulação tal que, a partir de certa altura, e no sentido de manter a sua forma essencial – a desigualdade e hierarquia – passou a ser possível dispensar das tarefas produtivas uma cada vez maior massa de gente.

    O lugar do trabalho no modo de produção capitalista

    29. A extensão da escola a uma cada vez maior massa de crianças e de jovens não tem que ver com uma apregoada cada vez maior qualificação do trabalho, pelo contrário cada vez menos exigente em competências e saberes e antes reduzido a formas estereotipadas e repetitivas de execução, mas a essa necessidade de libertação de mão-de-obra e controlo.

    30. Mas se o capitalismo procura, por um lado, assegurar o preço mínimo da força de trabalho, por outro lado ele sabe que só uma sociedade assente no trabalho assalariado lhe permite perpetuar todo um sistema de produção baseado na desigualdade em que, por princípio, ele mesmo assenta.

    31. Ter ou não ter trabalho é apresentado como uma distinção social que premeia os “diligentes” em desfavor dos “menos capazes”. A narrativa fantasiosa sobre o próprio modelo de opressão ajuda, por sua vez, a justificar as narrativas não menos fantasiosas sobre a própria acumulação primitiva do capital.

    32. Alicerçada com base no saque dos próprios povos ou de povos mais longínquos, a acumulação que permitiu o impulsionar das formas modernas da exploração capitalista em desfavor do sistema feudal é, ela já, em si mesma, sub-produto de uma sociedade classista, globalmente desigual – a vários títulos – e hierarquizada.

    33. Nenhuma sociedade humana pode viver sem a interdependência dos seus membros, assegurando a funcionalidade daquela através da repartição de tarefas, quer estas sejam trabalho manual ou intelectual. Um e outro concorrem para a organização social que torna viável a vida em comunidade.

    34. A desigualdade do valor do trabalho, justificada por que uns acumulam nas suas tarefas uma elevada quantidade adicional de trabalho morto, enquanto noutros esse trabalho acumulado é residual, é em si mesma uma fundamentação que, de modo idêntico, justifica a acumulação primitiva do capital.

    35. Não há valor intrínseco superior de uma qualquer forma de trabalho relativamente a outra. Todas as prestações à comunidade têm exactamente o mesmo valor de dádiva e partilha, como bem se pode ver em núcleos humanos colaborativos (ao invés de competitivos), como por exemplo em qualquer grupo de afinidade.

    36. A importância do trabalho para o capital significa a importância do próprio sistema do salariato. Assalariar é já subjugar. E lutar por assegurar uma sobrevivência fora do sistema de salariato é já atingi-lo no que ele tem de mais essencial. A divisa de Auschwitz «o trabalho liberta» ilustra esta importância.

    37. Lutar contra o trabalho é assegurar o triunfo sobre a colonização da vida de cada pessoa, que a reduz a peça avulsa de um mundo que lhe é alheio. Fulano ou fulana tornaram-se não a pessoa que são, em si próprias, com a sua riqueza e multiplicidade de saberes, competências, reflexões e afectos, mas meras designações de profissão.

    38. Quer a reinvenção de formas de sobrevivência que reciclam a dissipação e alienação do modo de vida dominante, quer a criação de formas horizontais e colaborantes do exercício de uma actividade de partilha e troca que assegure sobrevivência e empreste mais-valia à comunidade exemplificam que é possível viver a vida doutra maneira.

    Um capitalismo que invade todas as esferas da vida

    39. Assim também essa mesma necessidade de assegurar a permanência da dominação hierárquica e desigual “obriga” à dissipação dos recursos na publicidade, no turismo, na produção de inutilidades, na multiplicação dos eventos desportivos, e do mundo do espectáculo, e em toda uma panóplia de actividades deste e doutros géneros.

    40. Uma das formas mais importantes desta dissipação é o próprio desenvolvimento produtivista, que faz do chamado progresso um objectivo em si mesmo, sem atender de forma racional a que necessidades ele corresponde e a que preço se faz impor, muitas vezes arrasando as próprias comunidades, e trazendo o desespero e a miséria.

    41. Pelo volume de negócios realizado, pela introdução artificial de determinados modos de vida, uma das principais indústrias do mundo de hoje, absolutamente central e vital para o capitalismo, é a indústria do entretenimento, capaz de gerar necessidades e cumplicidades artificiais, simulacros de felicidade que entorpecem e se tornam o ópio dos nossos dias.

    42. O papel tradicional da religião enquanto bloqueador da acção e da reflexão social está morto. Mas a sociedade de classes encontrou os substitutos à altura, quer se chamem futebol ou música rock (ou seja lá o que for), desde que formas de massificação alheias ao exercício da lógica e da consciência individual e colectiva.

    43. Não se trata aqui da formação e diversidade do gosto estético, da emoção, e da partilha desse gosto ou emoção. Trata-se da pulsão consumista obsessiva, trata-se do castramento da própria pulsão criativa, trata-se da aceitação submissa das massas aos tiques e escolhas dos seus ídolos. E isto reflecte-se nos mais variados domínios, incluindo a política.

    44. Mesmo para aqueles que não foram capazes de o ver antes, quando os anarquistas insistiam no seu carácter de totalidade, hoje salta à vista que a dominação central é sobretudo hierárquica e civilizacional e não apenas económica e focalizada numa mera exploração económica do proletariado, seja o que for que hoje o represente.

    45. De facto, à medida que, cada vez mais, o tão afamado progresso ia lançando para fora do processo produtivo cada vez mais massas de gente em progressivo empobrecimento, o lugar central da resistência anti-capitalista foi-se deslocando cada vez mais também para fora da grande fábrica ou empresa de serviços, cuja luta se resume sobretudo a manter o emprego.

    Os novos focos de resistência possível

    46. Massas proletarizadas de gente sem emprego ou emprego precário ocupam hoje cada vez mais o lugar central da resistência social que antes coube ao proletariado fabril. Este processo arrasta mais do que só os trabalhadores que perderam o seu emprego ou que detêm um em condições penosas e que, pela sua própria situação, os amarram de pés e mãos.

    47. Acantonada em locais que lhe permitem grande convivência comunicacional, transformada em exército laboral de reserva essencial ao funcionamento do sistema capitalista, a massa dos alunos em situação de pré-inserção na vida económica, representa agora uma força social crescente com grande capacidade potencial de resistência.

    48. Por um lado sujeita ao embrutecimento e manipulação sistemáticos que espera de uma sua fracção o papel dirigente e a reprodução do modelo em que cresceu, reside nela também a disponibilidade de tempo e a revolta contra um mundo que sabe nada ter a dar-lhe a não ser perspectivas incertas de sobrevivência e uma mais que certa insatisfação.

    49. É este também o lugar dos artistas e intelectuais que não se limitam a aproveitar as benesses dadas pela proximidade do poder, seja ele ditado pelas escolhas das altas instâncias do Estado, seja ele expresso nas pequenas oportunidades aqui e ali geradas pelo poder autárquico ou outros poderes em busca dos seus elementos decorativos e de elegância.

    50. Por isso defendemos a luta social em todas as formas por que ela se manifesta, na relação laboral e fora dela, na divulgação do pensamento libertário, na luta por um modo de vida não predatório da própria natureza, contra as formas de coacção violenta e os aparelhos militares nacionais e planetários, nas lutas de emancipação sexual, contra o progresso tecnológico a todo o preço. Não somos anarco-sindicalistas, mas partilhamos um lugar na barricada dos que combatem a opressão hierárquica, económica, e de todos os tipos.

    Porto, 13 de Outubro de 2010

    Colectivo Hipátia

Proposta e declaração de propósitos

October 15th, 2010

    1. Mais do que grandes declarações de princípios em defesa de uma perspectiva mais correcta que outras, eventualmente erróneas, a afirmação do anarquismo como modelo deve expressar-se na forma como os anarquistas se relacionam com a comunidade de iguais e de diferentes.

    2. Não devemos cair na tentação de constituir um centro irradiante, alheio àqueles que mais próximos estão de nós, o que foi foi, mais do que uma vez, expressão de incapacidade e incompreensão em vários momentos do passado.

    3. Submersos no rodopio dissolvente da vida quotidiana imposta pelo trabalho, pela falta de atenção, pelo nosso ensimesmamento, perdemos o pé à necessidade de nos escutarmos a nós próprios, de nos agruparmos, de nos organizarmos.

    4. Processos de aproximação tão profícuos como o são, a nível português, a Rede Libertária, ou a nível portuense a Iniciativa Libertária do Porto, foram deixados muitas vezes por nós para segundo plano, sem deles fazermos a alavanca que poderiam constituir.

    5. Em particular no plano local, do Porto, experiências tão importantes como, por exemplo, a Mesa Comum iniciada no espaço do Terra Viva, a Rádio CasaViva ou o Projecto Educativo cuja discussão se iniciou no Gato Vadio mereciam um maior atenção geral, tornando mais comum esse património de solidariedade, rebeldia e utopia.

    6. O Colectivo Hipátia propõe aos grupos e pessoas libertárias do Porto:

    a) A reactivação da Iniciativa Libertária do Porto;

    b) A constituição de um núcleo redactorial e de um núcleo de divulgação da “Fysga” como folheto de informação das actividades do espaço libertário da região do Porto;

    c) A determinação de organizar, de forma concertada, umas Jornadas Libertárias no Porto, envolvendo todas as iniciativas, espaços e pessoas que possam rever-se nesse processo comum.

    7. O Colectivo Hipátia reafirma a sua perspectiva de, enquanto puder, colocar o Espaço Musas ao serviço de todos os projectos, seus e não só (tais como os já referidos), que tenham esse potencial de expressão libertária. Horta, sala, bar, computadores, biblioteca, …, e sobretudo pessoas, na medida do que soubermos e pudermos, estão ao dispor.

Porto, 13 de Outubro de 2010

Colectivo Hipátia

10º Aniversário da COSA

October 1st, 2010

10 anos de luta pela autonomia e afirmação de uma lógica insubmissa aos poderes do Estado e do Capital! 10 anos de uma batalha permanente contra o controlo do ser humano e do planeta, reinventando o prazer de construir no companheirismo a casa comum de uma vida que valha a pena viver!

A Casa Ocupada Autogestionada de Setúbal é uma referência incontornável de um movimento vivo, que resistiu aos mais diversos cantos de sereia de uma vida fácil ao colo de um qualquer partido, ela foi sementeira de rebeldia e de reflexão, ela mantém uma linha de rumo e uma perenidade que fazem dela um exemplo para todxs nós.

Fora de uma qualquer perspectiva messiânica, ela encontrou-se na sua comunidade e soube questionar as formas de estar e de fazer, sem perder o horizonte forçoso da utopia libertária.

Por tudo isto, reconhecendo o que lhe devemos, numa revivificação das perspectivas anarquistas aqui à nossa volta, o Colectivo Hipátia saúda os 10 anos da COSA por tudo o que já viveu e fez viver e por tudo o que certamente ainda estará para vir.

Parabéns COSA!

Colectivo Hipátia

13 de Outubro de 2010

Acção de informação em Solidariedade com a luta dos povos indígenas do Peru

July 6th, 2009

Dia 8 de Julho (quarta-feira) a partir das 17h30

Rua Sampaio Bruno / Sá da Bandeira (à Casa da Sorte)

Solidariedade com a luta dos povos indígenas do Peru

*Em resposta ao apelo da União Socialista Libertária (USL) a Iniciativa Libertária do Porto convoca uma acção de informação para o Porto. Excerto do comunicado:

“Da União Socialista Libertária (USL) do Peru, informamos que, no nosso país, a situação sócio-política continua a recrudescer, com os recentes acontecimentos de protesto e descontentamento popular, que se estenderam por todo o país, contra os Decretos Legislativos que o governo aprovou e pretende executar no seguimetno do Acordo de Comércio Livre que assinou com os EUA. Esses protestos converteram-se em greves por tempo indeterminado, bloqueio das principais estradas e vias que ligam o país, ocupação de locais estratégicos e exigências e reclamações (…) Por isso, exortamo-vos a retomar a solidariedade (…) para denunciar as acções do Estado e das multinacionais no nosso país. (…) A data acordada no Peru pelas bases indígenas e comunitárias e pelas organizações sociais é o dia 8 de Julho (data em que se iniciará outra greve nacional contra o TCL, contra o papel das multinacionais imperialistas e a violência do Estado.”

* ILP

Dia de Solidariedade Internacional com a luta do povo grego

December 20th, 2008

Consulado da Grécia, Porto

Consulado da Grécia, Porto

Calorosas saudações!

 

O Colectivo Hipátia saúda a forma responsável e colaborante como o movimento de resistência grego continua a comportar-se face às dificuldades da economia e à crise que atravessamos.

De facto, com grande sentido de responsabilidade, tem feito funcionar a economia internacional e contribuído para um PIB europeu estatisticamente mais dinâmico.

Prova disso é o esgotamento a que levou as reserva de gás lacrimogéneo, forçando assim a cooperação económica internacional a repor esses tão necessários bens agora em falta!

Que esses jovens sirvam de exemplo a todo o mundo!

Que mais podemos dizer, senão exprimir com humor negro, com raiva, com indignação, o nosso desprezo para com todos aqueles – iguais em todo o lado – que não recuam diante de nada para continuar a defender os privilégios de alguns, ainda que seja preciso, invocando todas as supostas leis anti-terroristas que os ajudam a matar, como fazem no Iraque, na Palestina, no Ruanda, no Darfur, ou agora na Grécia, em toda a parte onde queiram fazer rei o seu próprio dinheiro, ou melhor, o dinheiro extorquido dos bolsos dos pobres de todo o mundo – e para prosseguirem a sua democrática e férrea ditadura à conquista do globo, em nome da finança, em nome do partido.

Duas semanas depois do assassínio às mãos da polícia grega do jovem Alexandros Grigoropoulos, a luta continua. E que essa luta – é o que desejamos – não se esgote na substituição do senhor Karamanlis por um outro qualquer senhor Papandreou, de nome distinto, mas mais que irmão, mas mais que gémeo, mas mais que siamês, clone perfeito da política de Estado que não recua na violência, na arbitrariedade e na rapina!

A crise internacional une todos estes Estados responsáveis, seja qual for a sua cor, que acodem pressurosos, a pôr a mão por baixo, não vá a queda dos senhores banqueiros arrastá-los na ignominiosa falência, à parte os depósitos nas Suíças, os investimentos nos off-shores, a ligação ao tráfico de armas, à roleta dos casinos, aos projectos megalómanos das barragens de muitas gargantas, dos comboios de velocidade supersónica e de tudo o mais, mas sobretudo à espoliação dos pobres, sempre expulsos das suas casas para “requalificar” os sítios onde pode ser rentável a indústria nuclear, a exploração do petróleo ou o negócio imobiliário, seja isso no Alaska em degelo ou numa qualquer obscura cidade invicta num jardim à beira-mar plantado.

Não cremos num mundo em que nos querem fazer crer que o crime compensa, que isto é para os espertos, onde manda quem pode, e em que quem se fode é o mexilhão, como se isso fosse uma inexorável lei natural a que teríamos todos de nos sujeitar.

Amigos, saudações! Companheiros libertários, aquele abraço!

Agora somos todos gregos, mesmo cipriotas, alemães, espanhóis, dinamarqueses, holandeses, britânicos, mexicanos, belgas, norte-americanos, turcos, irlandeses, suíços, croatas, australianos, russos, búlgaros, italianos, franceses, polacos, argentinos, chilenos, canadianos, uruguaios, austríacos, neo-zelandeses, sul-coreanos, bascos, portugueses, solidários na luta, aprendendo do vosso exemplo, gritando convosco, acreditando juntos, todos estes nossos irmãos aqui na mó de baixo – e criando – um mundo como eles não querem, como eles não sonham… um mundo sem escravos, um mundo sem senhores, e então… lá longe ou aqui hoje, será jardim!

Colectivo Hipátia


Porto, 19 de Dezembro de 2008

FIDAR – Um caso de resistência … Continua

October 22nd, 2008

FIDAR - A Luta Continua...

FIDAR - A Luta Continua...


Na última sexta-feira, dia 17 de Outubro, os trabalhadores da empresa FIDAR puderam libertar alguma carga humana da frente das instalações desta mesma empresa, após dois meses e meio de protestos continuados, dia e noite, nesse mesmo local.

A decisão de levar a cabo a insolvência da empresa por parte do tribunal de trabalho de Guimarães, na quarta-feira anterior, 15 de Outubro,foi a garantia para os trabalhadores e restantes credores da empresa que iram receber as respectivas indemnizações. Claro está que será impossível quantificar os anos de dedicação destes trabalhadores, grande parte com mais de trinta e cinco de casa, tal como, uma vida subjugada à miséria do trabalho capitalista (…)

Após situações de total desrespeito para com os trabalhadores, quer pela administração da FIDAR, quer por parte da GNR, que deu cobertura a essa administração ao insultar e intimidar os trabalhadores ou que anteriormente compactua com o patronato e contra o tribunal de Guimarães, ao evitar que o patrão da FIDAR seja sujeito, a dada altura, a uma verificação da sua viatura pessoal , como modo de certificação que não transportaria consigo património da fiação, o tribunal de Guimarães decide convocar uma Assembleia de Credores para 27 de Novembro, com o objectivo de canalizar toda a receita em máquinas e matéria – prima restante dentro das instalações da fábrica, aos credores da ex- FIDAR e actual INCOTEX. . Ao contrário do que outros media afirmam, os trabalhadores continuam a ter que vigiar as instalações da fábrica, uma vez que, tendo esta sido vendida à empresa Incotex, não é possível impedir quem venha em nome desta última empresa de entrar na fábrica e essa situação poderá dar origem a desvios de património e mesmo estratagemas por parte do patrão para fazer sair informação e bens da FIDAR. Assim sendo, os trabalhadores, em grupos mais reduzidos, continuam a ter que salvaguardar o que lhes pretende dia e noite, substituindo-se, quer à empresa de segurança contratada pelo patrão, quer à GNR que já demonstrou não ser de confiança.

A notícia inicial desta situação.

C.O.S.A – 8º Aniversário

October 20th, 2008

 

Gato Negro

Parabéns Cosa

 

 

O colectivo anarquista Hipátia do Porto vem por este meio mostrar-se solidário com todxs os que mantém a Casa Ocupada Autogestionada de Setúbal no activo ao longo destes oito anos.

Algumas de nós viveram a história do sítio desde a sua ocupação, outrxs vêm neste espaço autónomo um verdadeiro bastião de resistência e inspiração para as suas lutas diárias contra todo o tipo de controlo do homem e do mundo.

A C.O.S.A constitui a ideia mais efectiva, em Portugal, que a autogestão não é uma realidade perdida no tempo ou fora da história, ideia cada vez mais difundida pela lógica capitalista. Diremos mais efectiva, na medida em que, existe como espaço não só mental, mas também físico e que pela sua longevidade, mudou profundamente a vida de muitos dos anarquistas portugueses. Com todos os problemas que teve que enfrentar ao longo destes oito anos, desde represálias por parte da Câmara Municipal de Setúbal, que imediatamente tentou tornar a vida dos seus habitantes uma impossibilidade ao proceder a cortes de água e luz, desde circos infinitos com a polícia de (in)segurança pública que atenta, entre outras mais absurdas intervenções, contra a liberdade de expressão, desde membros infiltrados de partidos políticos que depois dão origem a registos mediáticos falaciosos e mesmo várias e bem graves querelas com o Partido Comunista setubalense, por princípio forte opositor de movimentos alternativos independentes ou não autoritários. A cidade de Setúbal, por seu lado, de cada vez que tenta encaixar este

fenómeno é confrontada com o uma nova vaga de iniciativas libertárias, na sua natureza, e logo deve perceber que existem dinâmicas mutantes, isto é, que não se deixam captar sobre quaisquer formas ou dominar.

A Casa Ocupada Autogestionada de Setúbal nunca foi um fim em si mesma, deu origem a diversas outras iniciativas semelhantes de ocupações e actividades alternativas na cidade, arredores e ao nível nacional. Um fenómeno que lembra uma dinâmica rizomática ou um movimento que quereríamos e queremos perpétuo.

É por este e muitos muitos outros motivos que o Colectivo Hipátia do Porto vem dar os parabéns ao pessoal da C.O.S.A, pelo que contribuiu para as diversas dinâmicas por que passou e pelas vindouras.

 

 

PARABÉNS C.O.S.A,

 

Colectivo Hipátia

13 de Outubro de 2008